A moda morreu?

É Karl Lagerfeld e sua tragetória no design de moda
27 de fevereiro de 2019

A moda morreu?

A moda morreu? Estava pensando sobre a linha tênue que a história da moda e os avanços tecnológico tiveram em comum. Toda mudança na moda caminhou em 3 situações em comum, guerra, avanço tecnológico e cultura jovem. Foi assim na revolução industrial com roupas mais utilitárias, revolução Francesa onde as vestes nobres eram mal vistas, anos 20 com com a invenção do rádio trazendo um estilo de viver urbano nas casas de jazz, segunda guerra mundial com a praticidade da roupa militar trazendo bolsos nas roupas masculinas e femininas com uma moda menos demarcada de gênero, a Industrialização de produtos (herança da guerra) com o estilo de viver americano e logo depois estilo baby boomer reforçando a cultura jovem nos anos 60.
É literalmente um padrão que se forma no modo de lidar, com certeza algum antropólogo ou psicólogo tenha mais dados e propriedade para explicar.
Trazendo aos dias atuais do século 21 nenhuma grande mudança é vista. Parece que tudo o que é criado vem de releitura. Não passamos por nenhuma outra grande guerra para causat aquele clássico contraste de tempos bons, tempos difíceis e os jovens querendo ser diferente.
Depois do cós baixo do McQueen basicamente a moda ficou no revivalismo, cós alto dos anos 50 em 2010,skinni dos anos 60 em 2013, pantalona em 2018 seguido fortemente por tudo que é neon anos 80, tênis grandes camisetas com estampas vintage dos anos 80 e 90 e com o dandi feminino em alta no fim da década (2019) parece que estamos rebobinando a fita e começando de novo esse revivalismo.

Não se desespere com essa retrospectiva a moda ainda não morreu, apenas não é tão interessante criar uma estética no momento. Lembra lá trás quando falei das mudanças tecnológicas e o reflexo que teve na estética e forma de vestir? Então, o BUM da internet aconteceu a partir dos anos 2000 sendo algo impalpável, dentro da rede, invisível.

Para mim esta analogia estética é válida. Passamos a nos importar muito mais com os materiais e com o consumo que acaba sendo bem controverso né. Temos tecidos respiraveis, algodão sustentável, tecidos com ação probiótica que torna-se auto limpante e que cuida da saúde íntima e dérmica. Em contra partida as fast fashion, com produtos extremamente baratos, nada sustentável pois não tem qualidade causando um maior consumo e muitas vezes oriunda de trabalho escravo.

Um belo contraste, mas voltando a internet o que tem haver uma coisa com a outra?

Consumo: a democratização da informação que a internet oferece ensinou nossa geração a consumir, em horas uma informação já é velha e o produto da blogueira de manhã pode ser cobiçado e a noite ter uma resenha detonando ele.

Velocidade: Com tanta informação de moda circulando e a cada piscada um iPhone novo saindo, parece mais acertivo ir para o vintage, é como se em algum ponto tivéssemos controle do que está acontecendo já que muitas tendências tornaram impossível acompanhar os conceitos de moda com suas peças abstratas.

Preço: Cada vez queremos mais por menos é um negócio óbvio. Exigem de nós mais horas de trabalho, mais rendimento nos estudos, mais brindes nas compras, mais conteúdo de nossos influencers favoritos.

Ostentação: É intencional aquele cinto simples da Off White custar mais que salário mínimo. Da mesma forma que tem se tornado mais difícil concluir uma faculdade enquanto mantém um emprego. Os novos artigos de luxo são uma massagem no ego de quem pode tê-los. Assim como a internet no Brasil onde você pode ter o que quiser mas precisa ter poder para conseguir, como por exemplo a deep web.

Enfim, essa transmutação da moda está apenas começando, novos materiais como grafeno estão sendo desenvolvidos e o que a indústria fashion tem para oferecer nessa nova década tem muito potencial para surpreender.

Estefanie Mosko
Estefanie Mosko
Designer, estudante de moda. Vivo e respiro design

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